A publicidade indicou o prato do dia

by - segunda-feira, maio 31, 2021

 

Imagem: Pexels


Alimentação é um ritual muito curioso. Essa semana, a partir do texto ‘‘O Padrão Alimentar Ocidental’’ e do debate que foi realizado na última aula de Estudos das Culturas, nós, alunos, pudemos navegar por uma área muito pessoal do cotidiano de todo ser humano: a forma de se alimentar. No artigo de Bleil (1998) lemos e refletimos sobre as mudanças alimentares que ocorreram no Brasil e suas consequências em 40 anos, desde a década de 50. Já no debate, foram feitas defesas sobre dois pontos: A aprovação de uma tutela na alimentação brasileira e a não aprovação de uma tutela, pois a alimentação é estritamente pessoal.

Eu, pensando no ponto da alimentação ser uma decisão pessoal, penso que, além do fator econômico limitar essas escolhas, ‘’ a publicidade e a ideologia de consumo’’ (Nome de uma das partes do artigo de Bleil) conseguem afetar bastante essas escolhas em relação à alimentação. Esse era um ponto que eu queria muito que fosse mais aprofundado no debate, pois a forma como a publicidade afeta nossas vidas é muito grande, tanto que, no texto, Bleil (1998, p. 20) afirma que, mesmo com maior poder aquisitivo, muitos brasileiros ainda assim não se alimentam bem. Um dos meus escritos que foram utilizados no debate é que:

O problema não seria a população brasileira escolher a forma que se alimenta, mas sim a forma como a publicidade ou o governo nos influencia. É uma decisão pessoal, porém não existe um equilíbrio entre o número de divulgações midiáticas de comidas fast-food e comidas que são consideradas mais saudáveis; o peso da escolha de uma refeição mais rápida e industrializada é maior. (DEBATE, 14/04/2021)

Talvez a afirmação tenha ficado rasa em relação ao governo, porém eu quis dizer que, por exemplo, na época em que o governo aceitou a ‘ajuda’ dos EUA com o programa ‘‘Alimentos da Paz’’1 e o mesmo foi altamente aceito pela população, provocando o empobrecimento da alimentação, provavelmente houveram publicidades a favor. Então, por que não investir em publicidades que estimulem uma alimentação considerada saudável ou fazer uma melhor divulgação disso? As escolas públicas, por exemplo, oferecem alimentação para seus alunos. Seria interessante mostrar mais esse trabalho e sua importância em relação não só à alimentação das crianças, mas também sobre em como isso pode influenciar na alimentação familiar das mesmas. Esse ponto sobre publicidade me lembrou também do livro Alain de Botton, mesmo havendo uma diferença entre o dever de publicidade do governo e dos noticiários, ambos carregam o papel social de levar informações para a população. Botton afirma que

O noticiário sabe tornar sua mecânica quase invisível e, portanto, difícil de questionar. Ele se dirige a nós com uma voz natural e transparente, sem qualquer referência à própria perspectiva tendenciosa. Ele abre mão de deixar claro que não se limita a informar sobre o mundo, pelo contrário: empenha-se o tempo inteiro em modelar um novo planeta em nossa mente, um que esteja de acordo com suas prioridades muitas vezes bem específicas. (BOTTON, 2015, p. 11-12)

Outro fator interessante sobre o debate a respeito da alimentação é a influência também das decisões políticas e econômicas nesse quesito. A partir desse programa oferecido pelos EUA, não apenas a alimentação sofreu mudanças, mas também o dinheiro que era investido nessa alimentação que, nesse caso, teve que aumentar. ‘‘A política do governo, na área do abastecimento alimentar, estimulou a introdução dos supermercados no Brasil. Ora, esse fato foi responsável, em grande medida, pela piora no sistema de abastecimento da periferia’’. Então, a pessoa não tem dinheiro suficiente para se alimentar, tem que lidar com publicidades que exaltam o que a população não consegue ter e a única forma dessa pessoa se adequar a esse consumo é comprando produtos mais baratos e mais industrializados; isso foi muito bem mostrado no documentário ‘‘Muito além do peso’’ quando eles entrevistam as famílias com menor poder aquisitivo.

 Debater e estudar sobre a alimentação brasileira, apesar de não ser um assunto que eu pensasse muito, foi árduo, mas interessante, produtivo e me despertou muitas reflexões sobre. No tempo atual que estamos, em um Brasil que voltou a ser incluso no mapa de Fome, é essencial falar sobre as influências que circulam o prato de muitas pessoas.

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Notas:

1. ``O programa “Alimentos para a Paz”, desenvolvido pelos Estados Unidos, foi apresentado como uma forma de melhorar a alimentação do brasileiro. O trigo e o leite em pó foram doados à população na década de 50. Na realidade, percebeu-se que para os Estados Unidos era importante encontrar um escoamento de sua produção excedente, pois do contrário os preços baixariam.`` O Padrão Alimentar Ocidental: considerações sobre a mudança de hábitos no Brasil. Cadernos de Debate, Vol. VI, 1998, p. 18


Referências bibliográficas

BOTTON, Alain de. Notícias, manual do usuário. Rio de Janeiro, 2015, p. 11-67

BLEIL, Susana Inez. O Padrão Alimentar Ocidental: considerações sobre a mudança de hábitos no Brasil. In: Revista Cadernos de Debate, Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da UNICAMP, Vol. VI/ 1998, páginas 1-25.

Muito além do peso (2012, 84 min.), Estela Renner

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Oi, gente! Tudo bem? Espero que tenham gostado do texto, usei essas pequenas reflexões de um debate como uma das minhas avaliações de HACA36, matéria que eu tranquei por conta da pandemia, mas consegui pegar agora que as aulas voltaram em EAD. Estou bem animada para voltar a escrever aqui, confeso que não tenho muitas ideias ainda para escrever, além dos textos das minhas aulas que irei adaptar, porém vou tentar continuar com o blog. Quem quiser PDF's das referências bibliográficas, é só me mandar um email que eu envio tudinho. Por enquanto é isso, um beijo para quem está lendo!


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